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domingo, 15 de fevereiro de 2026

O SEGUNDO TITANIC DE LULA

 De novo... colidiremos com o iceberg dos fatos



Titanic brasileiro - imagem AFPP-IA




Por Antonio Fernando Pinheiro Pedro


Permitam-me começar com um alerta. Não um alerta alarmista, mas um alerta necessário:

O Brasil navega hoje em águas perigosas — e muitos fingem não ver o iceberg e o tsunami no horizonte.

A trajetória é identica à traçada na década passada, sob o mesmo governo petista... e o desastre está logo à frente, como antes.

A tripulação é similar, o comandante é o mesmo (sem a imediato - hoje causando outro desastre no oriente), e os passageiros... são os sobreviventes do último naufrágio.

A grande tragédia desse roteiro é a absoluta falta de memória. Enfim... vamos aos fatos atuais.


A grande lorota

Nos últimos dias, assim que o IBGE divulgou a alta de 0,33% no IPCA de janeiro, com 4,44% acumulados em 12 meses, a imprensa mainstream correu para repetir a mesma narrativa de sempre: “a inflação subiu porque os combustíveis ficaram mais caros nos postos".

Mas essa explicação, repetida como um mantra, veste a realidade como um biquini: esconde o essencial e mostra apenas o sugestivo...
  
Os combustíveis não subiram por força do mercado.  

Subiram porque os governos estaduais aumentaram o ICMS no início de 2026.  

Ou seja:  
  • o IPCA subiu porque os combustíveis subiram;  
  • os combustíveis subiram porque o ICMS aumentou;  
  • e o ICMS aumentou porque a federação está faminta por receita.

Essa é a verdade que não cabe nas manchetes.


A voracidade fiscal

Vivemos hoje sob um novo regime tributário que, em vez de simplificar, abriu espaço para uma voracidade fiscal ainda maior.  

União, estados e municípios encontraram no novo modelo um terreno fértil para ampliar arrecadação sob o pretexto de “harmonização”.

E o resultado é sempre o mesmo:

- mais impostos,  
- mais preços altos,  
- mais inflação,  
- mais sufoco para o cidadão.

É um ciclo que se retroalimenta.  E quem paga a conta é sempre o mesmo passageiro: o povo brasileiro.


O IBGE como navegador: risco e manipulação

E aqui chegamos a um ponto sensível: 

O IBGE, instituição que deveria ser o navegador da ponte de comando, o farol estatístico do país, tem sido percebido como parte integrante da narrativa governamental.

Mudanças metodológicas, classificações convenientes, ajustes silenciosos…  

Tudo isso alimenta a sensação de que os números estão sendo calibrados para suavizar desgastes políticos.

E quando o órgão que mede a realidade perde credibilidade, o país perde o rumo.  

Sem dados confiáveis, navegamos às cegas.


Os passageiros: um povo endividado e empobrecido

Enquanto isso, os passageiros deste navio — o povo brasileiro — enfrentam uma das piores perdas de poder de compra das últimas décadas.

Hoje:

- 79% das famílias estão endividadas,  
- o desemprego real é muito maior do que o divulgado,  
- e milhões de pessoas dependentes de programas assistenciais são classificadas como “ocupadas”, mascarando a verdadeira situação do mercado de trabalho.

A prosperidade que tentam vender é artificial.  

A realidade é dura.  E a estatística oficial, cada vez mais, parece um espelho embaçado.


O sonho da independência econômica está sendo destruído

Empreender no Brasil sempre foi difícil. Agora, tornou-se quase impossível.

Sem incentivos fiscais, sem crédito acessível, sem estabilidade regulatória, o sonho da independência econômica — conquistada pelo próprio esforço — está sendo destruído.

O resultado é devastador:

- desemprego estrutural,  
- fuga de talentos,  
- retração do investimento, 
- Fuga de empreendedores para fora do país, 
- e um número assustador de empresas fechando as portas.

Quando empreender vira um ato de resistência, algo está profundamente errado. Afinal, a base da economia está na atividade privada, nos pequenos e médios negócios, que empregam e geram maior volune de atividades e, também, formama grande base que suporta os grandes negócios também.


O Banco Central e a metáfora infeliz

E, em meio a tudo isso, ouvimos do presidente do Banco Central que “o Banco Central é um transatlântico, não um jet ski”.

A lembrança trágica do Titanic corre à mente de qualquer um que perceba o contexto.

E o Titanic afundou!

A metáfora se torna ainda mais inquietante diante da quebra bilionária do Banco Master, cuja liquidação extrajudicial foi inexplicavelmente adiada e suspeitosamente judicializada... 

Em momentos de crise, espera-se ação — não metáforas.


O tsunami da dívida pública

E enquanto discutimos narrativas, o verdadeiro tsunami se aproxima:  
a dívida pública brasileira cresce em ritmo acelerado.

Arrecada-se mais.  Gasta-se mais ainda.  

A produtividade não cresce, e o país se endivida como nunca.

Se a onda derruba... o iceberg que surge no horizonte está cada vez mais perto: a crise sistêmica - descrédito, insegurança e descontrole. 


Conclusão: o impacto é inevitável

Quando somamos:

- um regime tributário que incentiva aumento de carga,  
- governos sedentos por arrecadação,  
- um IBGE sob suspeita,  
- uma autoridade monetária hesitante,  
- uma população endividada e empobrecida,  
- um ambiente hostil ao empreendedor,  
- e uma dívida pública que cresce como um tsunami,

o resultado não é difícil de prever.

Não é pessimismo.  É lucidez.

Um país não afunda de repente.  

Ele afunda aos poucos — até que o inevitável aconteça.

Se nada mudar, corremos o risco de repetir a história do Titanic:  um gigante que acreditava ser inafundável, até encontrar o iceberg previsível, que o comandante do barco fingiu não ver, enquanto sua tripulação distraía os pobres passageiros - ou seja, nós.



Antonio Fernando Pinheiro Pedro é advogado (USP), jornalista, consultor estratégico e ambiental, com serviços prestados e estudos publicados junto a organismos multilaterais como a ONU (Unicri e Pnud), Banco Mundial, IFC, Green Economy Task Force da Câmara de Comércio Internacional, governo brasileiro e grandes corporações. Sócio fundador do escritório Pinheiro Pedro Advogados e diretor da AICA - Agência de Inteligência Corporativa e Ambiental, é  membro do Conselho Superior de Estudos Nacionais e Política da FIESP - Federação das Indústrias do Estado de São Paulo, Presidente da UNIÁGUA - Instituto Universidade da Água e Vice-Presidente da Associação Paulista de Imprensa - API. É Editor-Chefe do Portal Ambiente Legal e responsável pelo blog The Eagle View.






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