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segunda-feira, 27 de abril de 2026

TODO MUNDO QUER MANDAR NO EXÉRCITO

O que mais podem fazer, por decreto ou pressão política, para diminuir a Força?








Por Walter Felix Cardoso Junior



Mudar nome de organizações militares, instituir currículos escolarizados por igualitarismo, estabelecer cotas de acesso e progressão, e manter em funções de comando estratégico gente moralmente despreparada... O que mais podem fazer, por decreto ou pressão política, para diminuir a Força?

Não se enfraquece uma Força apenas tirando recursos ou mutilando-a materialmente. Enfraquece-se também por corrosão.

Quando esvaziam tradições, ridicularizam valores, relativizam a hierarquia, embaralham a disciplina e submetem a meritocracia a critérios externos, a instituição começa a perder substância.

Quando querem moldar o Exército segundo modas políticas, ideológicas ou pedagógicas alheias à sua missão, não estão aperfeiçoando a Força: estão descaracterizando-a.

Some-se a isso a burocratização excessiva, a culpa histórica seletiva, a fragmentação interna e a vigilância que inibe o comando honesto.

O resultado é uma tropa cada vez mais condicionada a agradar, justificar-se e adaptar-se, em vez de preparar-se para servir, decidir e combater.

No fim, a forma mais eficiente de diminuir uma Força é fazê-la duvidar de si mesma. E já há muita gente duvidando.

Se isso salta aos olhos de quem observa de fora, o que explica o silêncio, ou a conivência,  de parte do próprio alto escalão?

Há horas em que a pena não precisa punir. Basta desmascarar.




Coronel da Reserva do Exército Brasileiro, é bacharel em Ciências Militares pela Academia Militar das Agulhas Negras (Infantaria_1974) com doutorado em Engenharia de Produção pela Universidade Federal de Santa Catarina (PPGEP/UFSC_2003), com cursos residentes de especialização no Centro Willian Perry de Estudos de Defesa, da Universidade Nacional de Defesa dos EUA -  Washington/DC,  É autor de três obras: Inteligência Empresarial Estratégica: método de implantação de Inteligência Competitiva em organizações (1 Edição em Tubarão: Editora da UNISUL, 2005; com 2 Edição em Brasília, Editora da ABRAIC, 2007); Inteligência Competitiva: disciplina acadêmica (Tubarão: Editora da Unisul, 2006); e Guía de Inteligencia Empresarial: enfrentando el ambiente de la alta competencia (Buenos Aires: Editora Seguridad y Defensa, 2006). Foi Secretário de Planejamento Estratégico e Assessor da Secretaria Especial de Assuntos Estratégicos da Presidência da República.



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