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quinta-feira, 8 de janeiro de 2026

DEBOCHE E CINISMO

 Chafurdando na lama da farsa...





Por Maynard Marques de Santa Rosa, em 8 de janeiro de 2026)

 

Comemorar a repressão é deboche autoritário. Ostentar a tramoia como serviço à democracia, puro cinismo.

O cenário nacional é lamentável e seus efeitos são visíveis: disfunção institucional dos poderes republicanos, gestão temerária, rapina compartilhada de recursos públicos e corrupção público-privada sistêmica.

Recordando a evolução desde 8 de janeiro de 2023, cabe considerar que confinar manifestantes em campo de concentração é ofensa indesculpável à magnanimidade do brasileiro. E condenar lideranças por suposição de tentativa de golpe, sem prova evidente, um atentado à harmonia coletiva.

Difícil para o cidadão sensato é constatar, impotente, os desmandos em curso e ainda ter de assistir espetáculos de cinismo em exibição oficial.

É certo que a degradação vigente resulta de um processo lento e contínuo, marcado pela indiferença da sociedade e pela omissão das lideranças. Mas o desfecho do ato desvela a miopia estratégica e a alienação de quem jurou defender a honra da pátria e as instituições com o sacrifício da própria vida.

O Brasil perdeu o rumo e vaga ao sabor das circunstâncias.

Despertar é preciso!



General de Exército Maynard Marques de Santa Rosa é oficial reformado do Exército Brasileiro, formado pela Academia Militar das Agulhas Negras (Resende/RJ), tendo servido em 24 Unidades Militares do Território Nacional durante 49 anos de atividade na carreira. Possui mestrado pela Escola de Aperfeiçoamento de Oficiais do Rio de Janeiro e doutorado em ciências militares pela Escola de Comando e Estado-Maior do Exército, também do RJ. No exterior, graduou-se em Política e Estratégia, em pós-doutorado no U.S. Army War College (Carlisle/PA, 1988/89). Foi Ministro-chefe da secretaria de Assuntos Estratégicos da Presidência da República (SAE), no Governo Bolsonaro (2019).



Um comentário:

  1. Nos anos 70, eu fiz o serviço militar na Aeronáutica. E lá fiquei amigo de alguns oficiais aviadores, e o desalento era geral. Reclamavam da pobreza do soldo, e que a briga entre os brigadeiros, era por cargos e promoções: - todos queriam uma boquinha e uma bocarra. Vejo tudo isso no momento, e considero que a amoralidade é a tônica geral do brasileiro inclusive dos militares. E para piorar, aconteceu o pior, com o STF acordando para a fragilidade do legislativo diante de tantos processos que eles controlam, e através dai, vão manipulando os caciques dos partidos, que são os que mais tem processos de corrupção. E já que eles (O STF) liberaram o maior corrupto da atualidade, e o colocaram para presidir o Brasil, eles também controlam o executivo, e ninguém os controla. CNJ está dominadíssimo, fazendo cara de paisagem. Não acho que o problema ou a solução estejam com os militares, que continuam zé-boquinhas e zé-bocarras. Órgãos da sociedade, como OAB, está lá acovardada ou leniente, pior, subserviente. Dos grandes órgãos de imprensa, somente o Estadão, dá mostra de parar de piorar.

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