Em nossas Termópilas, a democracia é esmagada pelos corvos, sem que haja um único Leônidas a liderar sua defesa
Por Antonio Fernando Pinheiro Pedro
O leão nunca ataca o touro se ele tem seu chifre em postura de ataque. Ele ataca quando o touro se põe em fuga.
Essa lição parece caber integralmente na coreografia das nossas instituições nacionais na presente crise política. Em verdade, não se trata das instituições... mas do péssimo material humano que delas se assenhorou.
Vivemos um conflito derivado da notória falta de legitimidade do atual governo. O presidente eleito, não pode por o nariz na rua sem sofrer alguma ofensa de populares. Já o seu antecessor - cassado e "caçado" pelo sistema instalado no planalto, é recebido nos braços do povo até na Argentina. Fatores sintomáticos de que algo de errado, não está certo.
Tal qual um castelo de cartas, um regime ilegítimo apoiado pela jurisprudência do medo produzida por um tribunal proselitista e injusto... não vencerá a lei da gravidade. Ainda que protegido por um quadro cor de rosa plantado por uma mídia pôdre... cedo ou tarde, o regime cairá.
Os sintomas da ruptura são claros.
Uma sombra cada vez maior se abate sobre o sistema eleitoral "eletrônico" brasileiro - utilizado aqui e no Butão, e já substituído até na Venezuela por um sistema de voto impresso. Esse incômodo assunto é propositadamente obnubliado por uma imensa polarização no ambiente político e social - a cada dia estimulada pelo próprio governo impopular e seus acólitos nele pendurados - talvez porque o assunto remeta à notória impopularidade de quem foi eleito. No mesmo sentido, testemunhamos a desmoralização sofrida pelas instituições permanentes da República, e encetada por seus próprios quadros.
A péssima judicatura em exercício nos tribunais superiores soma sua desfaçatez à de membros do Ministério Público e agentes de segurança ideologicamente orientados. Temerosos da evidente impopularidade e alvos da desconfiança do Povo, esses servidores tratam de distribuir carteiradas, criminalizar críticas, caçar e cassar mídias discordantes e líderes opositores.
O nível de distorção de valores é impressionante. Os corvos instalados na Repúbluca tratam de intimidar cidadãos de bem, enquanto manipulam o entendimento das normas legais para garantir impunidade aos notoriamente maus. Buscam reprimir questionamentos de jornalistas e cidadãos, esmagar o direito de defesa e inibir manifestações de protesto. Mimetizam hienas acossadas que reagem em bando, tentando isolar e atacar suas vítimas.
O avanço da censura e da perseguição política, protagonizado por decisões judiciais atrabiliárias, somado à postura de escárnio adotada pelos novos pançudos no Poder Executivo, destrói o Estado de Direito sob o cínico pretexto de "salvá-lo".
Vale aqui mencionar o sempre atento General Paulo Chagas, que exerceu crítica às ações arrogantes do Ministro Alexandre de Morais - aquele que tudo julga e investiga, inquisidor e julgador...
O General escreveu em seu twitter:
"Convido Alexandre de Moraes a assistir ao filme "300 de Esparta" na cena em que Leônidas, ao final da luta nas Termópilas, em um último gesto, atira sua lança em direção a Xerxes e o fere no rosto lembrando-o de que ele não era imortal.
Os persas venceram a batalha mas não a guerra!"
Porém, em nossas Termópilas, a esmagadora maioria de populares mobilizados é que está sendo sacrificada pelos corvos, sem que haja um único Leônidas a liderá-la.
"Premiados" com gordos salários, os corvos têm consciência da podridão que operam. Sabem que a história será com eles implacável. Sentem o desprezo dirigido a eles pelos cidadãos de bem. Talvez, por isso, buscam agir desbragadamente, como se não houvesse amanhã.
A covardia por eles institucionalizada se revela na direta proporção da arrogância, que a protoditadura instalada em Brasília demonstra.
Como "Aiatolás" de toga preta, os corvos constroem a chamada "jurisprudência do medo". A jurisprudência do medo que impulsiona a paranóia por investigar, processar e condenar cidadãos comuns em sede e foro de exceção. Que também impulsiona a desfaçatez com que se aplica penas bárbaras a gente sem qualquer periculosidade.
O medo em forma de decisão judicial conduz à destruição de todos os princípios comezinhos do Direito Penal. Prova disso é a inacreditável estupidez de confundir conduta de "tentativa de golpe" com o mero ato de "cogitar", "analisar" e "consultar" medidas constitucionais que, de fato, não foram implementadas, ensaiadas ou sequer expressas num papel oficialmente válido.
A vontade de condenar revela falha cognitiva imperdoável. Escancara as portas para o arbítrio orwelliano, onde o ato de pensar e emitir opinião equivale a consumar um delito.
Os corvos abusam da caneta com ansiedade, cientes que a tinta que a abastece uma hora acaba. No entanto, cumprem uma função: deixar evidente a inegável e absoluta superioridade moral do povo que a eles se opõe, e sobre a corja que nos fere.
"Lucas 12:24 NVI
Observem os corvos: não semeiam nem colhem, não têm armazéns nem celeiros; contudo, Deus os alimenta. Vocês têm muito mais valor do que as aves!"
O silêncio omisso e a falta de liderança do parlamento nacional, por sua vez, revela a hegemonia dos covardes na política atual. O fenômeno da covardia aumenta a sensação de desperdício do esforço popular e estimula a sensação geral de desalento. Não por outro motivo, sofremos uma reação coletiva, histórica e profunda, de corrosivo desprezo por todas as instituições que se alimentam do que ainda resta de nosso tecido social. Um retrocesso cívico-cultural aos tempos de colônia.
As FFAA seguem solertes para mesmo o poço do opróbrio, seja pela omissão de seus comandantes, seja pela humilhação pública a eles importa pelo regime dos corvos. Aquinhoados com benesses salariais, os solícitos comandantes fingem ignorar o evidente desmonte que as forças que dirigem sofrerão, sob o tacão de interesses nocivos à soberania nacional e popular, que não hesitarão em subjugá-los.
Como lecionava Aristóteles, "são as escolhas efetivas entre o bem e o mal que definem o caráter, nunca o que se pensa sobre um ou outro".
Como vaticinou Churchill, pode-se enganar alguns por algum tempo... mas não se enganará a todos, todo o tempo. A verdade surgirá e a história será implacável.
Não bastará, portanto, "arremessar a lança contra Xerxes".
Talvez, seja o caso de ler e cantar os Salmos.
Antonio Fernando Pinheiro Pedro é advogado e
consultor ambiental, jornalista e editor.

Excelente… preciso é cirúrgico
ResponderExcluirEste texto mexe com a índole e patriotismo do verdadeiro brasileiro, sangra a sua falta de responsabilidade para com a família e o povo que luta por um momento melhor, enfurece os soldados de toga, mas não terá êxito se calados ficarmos. Estarei sempre com você, jornalista NACIONAL!
ResponderExcluirEnquanto isso, os profissionais da educacao, docentes e não docentes sofrem na tentativa de tentar uma licença medica ou um afastamento para se curar do sufocamento que as vulnerabilidades sociais geram na realidade escolar, em especial, o ensino médio público e periférico.
ResponderExcluirÉ preciso lutar contra a naturalização do ambiente hostil/tóxico no setor público educacional. Por mais diversidade cultural e diversidade de trilhas pedagógicas no ensino médio público.
ResponderExcluirNo horror implantado com a conivência das FFAA vamos todos sucumbir.
ResponderExcluirDe toda essa corja a serviço do Mal, os maiores responsáveis são os comandantes das FFAA que, ante um explícito e comprovado processo eleitoral viciado, que culminou com a maior fraude eleitoral dos tempos modernos, venderam suas almas ao narcotráfico latino americano.
Eles responderão pelo mais hediondo dos crimes, a traição à pátria. A traição ao seu povo, ao povo que juraram defender.