Besteirol estatístico sobre manifestações desfoca o verdadeiro fato jornalístico: a tetrarquia instalada no poder
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| Mar de gente na Avenida Paulista em 12 de abril de 2014 |
Nas manifestações democráticas, quanta vergonha alheia sinto pelo besteirol estatístico apresentado nos jornalões e debatido nas rádios e TVs.
Malabaristas da contabilidade, repórteres sem assunto praticaram equilibrismo numérico... buscando reduzir o fato jornalístico - o repúdio demonstrado nas ruas em centenas de cidades - a uma comparação quantitativa entre as centenas de milhares de manifestantes apurados nas manifestações contra o estado de coisas na política brasileira de 15 de março e 12 de abril.
Decididamente, faltou foco à mídia.
A questão não é "quantos" foram às ruas protestar. Estes sempre foram muitos.
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| Não há como reduzir uma mobilização popular dessa magnitude a uma diferença numérica cuja variação está entre centenas de milhares e... centenas de milhares |
Se há algo a comentar, é o fato do repúdio nacional, demonstrado por duas vezes nas ruas do Brasil, em menos de trinta dias, encontrar o governo repudiado, recém reiniciado, absolutamente esvaziado.
A chefe do executivo, eleita democraticamente, está literalmente "interditada". Mera inquilina no palácio do planalto, que nitidamente não mais governa. Seu mandato, neste momento, perdeu importância diante dos tetrarcas que hoje articulam o poder nacional: O Vice-Presidente Temer, o Ministro da Economia Levy, o Presidente do Senado Federal Renan Calheiros e o Presidente da Câmara Federal, Eduardo Cunha.
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| Os tetrarcas no comando do país |
Como pano de fundo neste cenário de transição, um partidarismo em crise.
Como farrapo, o partido governista (PT), esgarça a olhos vistos. O partido oposicionista, o PSDB, amarfanhado e roto, encontra-se cada vez mais emparedado por insuperáveis indefinições de toda ordem.
Por outro lado, como uma colcha de retalhos organizadinha e bem costurada, o PMDB torna-se o único partido a manter sua articulação de quadros focada no poder.
Como farrapo, o partido governista (PT), esgarça a olhos vistos. O partido oposicionista, o PSDB, amarfanhado e roto, encontra-se cada vez mais emparedado por insuperáveis indefinições de toda ordem.
Por outro lado, como uma colcha de retalhos organizadinha e bem costurada, o PMDB torna-se o único partido a manter sua articulação de quadros focada no poder.
Em meio a essa crise de desabastecimento popular, no reservatório da governabilidade nacional, a cota de legitimidade da Presidente Dilma já atingiu o "volume morto"... e, ao que tudo indica, irá secar.
Antonio Fernando Pinheiro Pedro é advogado (USP), jornalista e consultor ambiental. Integrante do Green Economy Task Force da Câmara de Comércio Internacional, membro da Comissão de Direito Ambiental do Instituto dos Advogados Brasileiros - IAB e da Comissão Nacional de Direito Ambiental do Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil - OAB. Jornalista, é Editor- Chefe do Portal Ambiente Legal e responsável pelo blog The Eagle View.
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