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quarta-feira, 25 de fevereiro de 2015

A NOVA CARA DO PT

Manifestação do PT em frente à ABI - Associação Brasileira de Imprensa


Na manifestação "de apoio à Petrobrás", em frente à ABI, a militância petista mostrou sua nova cara:
A - saíram de cena os "militontos" barbudinhos e mocinhas de bata e bolsa a tiracolo;
B - entraram em cena os armários truculentos, tropa de choque pronta para confrontar e intimidar.
O fato é sintomático de um processo de golpe.

Não se tratou de uma demonstração de desespero truculento de uma organização política que perde legitimidade mas, sim, de uma ação de facção bem instalada no poder, em plena ação intimidatória, visando consolidar sua posição à testa do aparato estatal.

A atitude agressiva, arrogante, paramilitar e uniformizada, atenta contra a Constituição e o regime democrático brasileiro.

Chamam os idealizadores dessa escalada de ações intimidatórias, de "consolidação das conquistas populares" visando uma "reforma política" imposta por um "governo não consensual".

Esses termos já estão em uso há algum tempo pelos próceres da esquerdinha hipócrita. Governos "não consensuais" são a denominação "científica" das ditaduras bolivarianas, que infestaram a América Latina nos últimos anos. Uma forma de caudilhismo que usa os instrumentos democráticos para alcançar o Poder e... uma vez lá, trata de desconstruir, pedra a pedra, todas as garantias individuais e direitos políticos da cidadania com o pretexto de "consolidar os avanços sociais", "combater as elites", "destruir o imperialismo", "controlar o mercado", "garantir o direito de minorias", etc, etc, etc...

Sindicalismo desagregador, políticas "politicamente corretas" moldadas por radicais de toda ordem, movimentos sociais manipulados, organizações civis em frangalhos, burocracia acachapante e corrupção usada como forma de "financiamento do esforço de mobilização", formam a marca registrada desses governos "não consensuais", que respondem às manifestações de legítima revolta contra o estado de coisas com a "criminalização da oposição", perseguição aos "golpistas", censura à imprensa livre em nome da "liberdade de imprensa", arrocho econômico nas atividades empresariais e destruição completa da chamada "pequena burguesia" - a classe média, sem a qual não existe democracia.

Com manifestações de apoio às estatais saqueadas pela corja de corruptos, somados aos já tradicionais "putschs" (tipo "março vermelho", "marcha dos "Sem Teto", etc), "a chapa irá esquentar" para os que ainda  lutam pela manutenção do nosso regime democrático.

A tropa de choque petista vai buscar o confronto.

Ao que tudo indica, os petistas têm certeza que não serão reprimidos nos estados governados por vassalos aliados e seus subalternos (como, aliás, visto agora no Rio), ou dirigentes acovardados e hesitantes (como se percebe aqui e ali...nos governos tucanos).

O cenário nacional é favorável aos golpistas de esquerda e seus truculentos militantes, senão vejamos:

a) Instituições civis importantes, como a OAB e ABI, autoras do pedido de impeachment de Fernando Collor, nos anos 90...hoje encontram-se em estado de absoluta vassalagem ao bolivarismo petista;
b) O judiciário nacional está comprometido até a medula com desmandos, inebriado por privilégios remuneratórios liberados sem qualquer resistência pela máquina governamental e postado olimpicamente na defesa de seus interesses corporativos. Nesse campo, o que se destaca é a coragem cívica de muitos magistrados, não raro frustrados em grau recursal nas suas ações e decisões;
c) O Ministério Público, embora no atacado seja, hoje, um bálsamo na política nacional, revela-se, no varejo, uma entidade sem rumo definido, em vias de se afogar em milhares de ações e procedimentos contraditórios que não encontram conclusão... isso por conta do enorme volume da corrupção reinante sob fiscalização e, também, do volume de equívocos ideológicos de toda ordem, que acometem o operador de plantão, caso a caso;
d) As forças armadas...a exemplo das co-irmãs nos países "bolivarianos"... atingiram a estatura dos pigmeus;
e) O funcionalismo público tornou-se um monstro obeso, autofágico e arbitrário. Preguiçoso e ineficiente. Hoje, o direito de petição, o direito de protocolo, a transparência e publicidade dos atos... irá depender do burocrata de plantão;
e) A camada mais carente da população está anestesiada por programas sociais, que mantém uma enorme massa de indivíduos reféns do Estado;
f) Analfabetismo funcional, consumismo, violência e rancor constituem o cotidiano da pobreza no meio urbano;
g) A classe política está imersa no opróbrio, manchada pelo estrume atirado pela opinião pública sobre seus quadros e estruturas partidárias. Ademais, encontra-se desprovida de líderes que valham esse nome. Para piorar, é fiscalizada por uma imprensa não raro da mesma cor do material já citado...

Assim, na visão dos teóricos do governo "não consensual",  é necessário apenas ampliar a truculência dos militantes militontos. Vestí-los de vermelho - como se fossem uma nova "tropa de choque" fascista e fazê-los inibir, pela força, qualquer iniciativa democrática " coxinha" que ouse aparecer pela frente...

Contra as manifestações truculentas somente a massiva
mobilização da sociedade, como em junho de 2013
Golpistas, portanto, não são os opositores do atual governo "não consensual" petista. Golpistas são os que hoje já se encontram no domínio de uma enorme massa de capital, advindo da corrupção desmedida. 

Golpistas são os que estão à testa da destruição sistemática da Administração Pública no Brasil.

Somente uma forte e massiva manifestação popular, seguida de uma resposta em apoio à mobilização, à altura, do que ainda resta de instituições republicanas, é que poderá impedir o desenrolar de todo esse processo golpista, que destruirá a nação.



Antonio Fernando Pinheiro Pedro  é  advogado (USP), jornalista e consultor ambiental. Integrante  do Green Economy   Task   Force   da  Câmara  de  Comércio   Internacional,  membro  da   Comissão  de Direito Ambiental  do   Instituto dos Advogados Brasileiros - IAB e da Comissão Nacional de Direito Ambiental do Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil - OAB. Jornalista,  é Editor- Chefe do Portal Ambiente Legal e responsável pelo blog The Eagle View.



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Um comentário:

  1. Impressionante como esse artigo torna-se, a cada dia, nestes dez anos, cada vez mais atual...

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